![]() |
| Jaime Lerner em seu escritório. |
“A cidade tem que ter um sonho”. Assim, de forma simples e objetiva, o arquiteto, urbanista, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná Jaime Lerner definiu o desafio que todas as cidades apresentam a seus habitantes.
Lerner abandonou a política há oito anos e hoje se dedica a sua empresa de consultoria na área de urbanismo. Viaja o mundo, segundo ele disse em entrevista recente ao programa Roda Viva da TV Cultura, “dando dois ou três palpites por cidade”. “Eu passo alguns dias [na cidade] com a equipe, ouço os moradores, sinto sua vocação, seus sonhos e pontuo algumas coisas simples”.
Acompanhei como cidadão o governo de Lerner, tanto na prefeitura de Curitiba como no estado do Paraná. Como prefeito, Lerner soube captar os sonhos de seus concidadãos e revolucionou Curitiba, preparando-a para o futuro e tornando-a cidade modelo. No governo do estado não foi tão bem. Sua vocação era mesmo a cidade.
Ao contrário de Lerner, os políticos costumam fugir do enfrentamento dos problemas urbanos. Assumem prefeituras pensando em vôos mais altos. Analisando a questão, não há como não lembrar de nossa “pobre rica” Manaus.
A partir da lição de Lerner, penso que no passado talvez tenha havido um sonho para Manaus, ainda que talvez um pouco megalomaníaco, pois associados à idéia de um “Eldorado”. Hoje, o que subsiste não passa de uma farsa: o “Eldorado” é o véu a encobrir toda sorte de oportunismo e rapinagem, capitaneados por aventureiros de toda a sorte, sem diferença de origem ou classe social. Sim, àquele comunistóide que se sinta tentado a botar a culpa nas elites: em Manaus o oportunismo e a gatunagem estão democraticamente distribuídos em todos os estratos sociais.
Para que a cidade venha a ser minimamente habitável, com alguma qualidade de vida, na lição de Lerner, urge que se busque para ela um sonho que congregue todos os habitantes e que tal exista para além dos muros de um condomínio fechado. Sem isso, continuaremos a nos tolerar neste caos infernal de uma urbes em que, parafraseando Caetano, tudo é construção e já é em ruína.

0 comentários:
Postar um comentário