O que é ser de "direita" ou de "esquerda" hoje em dia? Ainda é válida essa diferenciação? Para começo de conversa é difícil, quase impossível, encontrar alguém que se defina de "direita". De "esquerda" há muitos e o resto é de "centro", talvez o pior.
O mundo na era Obama está ideologicamente "cor-de-rosa" e na China comunista estão os maiores capitalistas da atualidade. No Brasil, devido ao nosso histórico deficit democrático, a questão é ainda mais nebulosa. O PT pós-mensalão não sustenta mais seu discurso de origem. O que até é bom, dado que hipocrisia tem limites (ou não). Por outro lado, não viceja nenhum discurso de afronta à histórica hipocrisia da esquerdona rançosa. Quem ousa se manifestar publicamente em prol de pilares do liberalismo, como a defesa do indivíduo contra o estado, é taxado de direitista, recua ligeiro ou disfarça como faz a "classe média" ao comprar mortadela.
O que é particularmente intrigante é que o politicamente correto, a defesa das chamadas "minorias", bandeiras históricas da "esquerda", deixou de ser transgressivo (o que é bom) e virou norma (o que é ruim). Vide, por exemplo, a questão da liberdade e opção sexual. Primeiro: não existe opção sexual, mas isso é outra discussão. O que vejo é que ao se "normalizar" (tornar norma) o comportamento homossexual chega-se ao absurdo de um patrulhamento contra quem discorda ou não aprova (o que é um direito). Convém lembrar que, na lição do velho Freud, quem regulamenta o sexo é perverso... Outro exemplo do que poderíamos chamar de "normalização" equivocada de antigas bandeiras da "esquerda": a questão das cotas raciais que introduziu no Brasil uma até agora estranha judicialização da cor da pele (coisa de norte-americano, não nossa).
Dito isso, fica no ar a dúvida de como irão se posicionar politicamente as novas gerações. Ao ouvirmos os mais jovens, com seu comportamento obsessivamente hedonista, penso que não teremos grandes debates pela frente.
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