Confesso que a propaganda massiva de uso de camisinha no carnaval me incomoda. Fora de discussão que o combate à AIDS e outras DST's é fundamental, mas a impressão que dá é a de um imperativo de gozo, uma regra, mais do que de tolerância, de obrigação, a autorizar um comportamento sexual irresponsável e até arriscado.
A relação sexual sem o uso do preservativo é um erro indiscutível. Contudo, vejo que ninguém questiona a bizarra situação de tolerância quanto ao comportamento sexual promíscuo e perigoso: a roleta russa que é fazer sexo com um(a) estranho(a) embrigado(a) por exemplo. Se a camisinha pode proteger contra DST's, o mesmo não se pode dizer de outras decorrências do comportamento sexual promíscuo, ainda mais considerando que menores se comportam como adultos na folia.
Um dos problemas, talvez, seja que hoje em dia soa como um sacrilégio se questionar o gozo. Se no passado havia repressão e hipocrisia, hoje a permissividade e o relativismo impõe aos conscienciosos uma certa timidez, ou vergonha mesmo, de se manifestar publicamente contra esse ou aquele comportamento. Teme-se o rótulo de quadrado (aquele que não desce redondo), reacionário, atrasado, burro.
Trata-se de uma contingência de nossa época. Mas não custa lembrar que liberdade é também liberdade para ser seletivo quanto a escolha do gozo, seu objeto, duração e circunstância. Isso vale para qualquer escolha, aliás.
0 comentários:
Postar um comentário