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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2


José Padilha trabalha com o objetivo de fazer uma arte politicamente influente. Seu tema é a sociedade brasileira. Usa o Rio como cenário e o faz bem desde Ônibus 174, o excelente documentário sobre o sequestro do ônibus e morte do sequestrador (este um outrora sobrevivente da chacina da candelária).

No primeiro "Tropa", Padilha consegue trabalhar com vários níveis narrativos. O público que quiser divertir-se, irá. Quem quiser algo mais profundo, também tem. Quem quiser usar o filme ou citá-lo em uma tese de doutorado, também terá material. Mal comparando, Shakespeare também trabalhava assim. Suas peças eram dirigidas ao povo, mas continham uma mensagem de crítica, de moral ou até filosófica, cabendo uma reflexão sobre a existência.

Nesta continuação, "Tropa de Elite 2", Padilha, possivelmente impressionado com o sucesso "acidental" do primeiro, resolve assumir seu desejo de valer-se da arte para modificar a sociedade. Com efeito, temos um bom filme, mas com uma dose forte de panfletarismo. Se no primeiro filme cabia ao espectador pensar sobre a arte (ainda que quem quisesse apenas se divertir também teria o que quisesse), neste segundo filme o diretor entrega ao espectador a "mensagem" pronta e acabada, sem que ele precise pensar tanto, digamos. E, é claro, também há diversão.

Tropa 2 será muito menos polêmico que o primeiro, não por seu conteúdo, mas justamente por esta opção do diretor de deixar tudo muito claro, vilões e heróis mais bem definidos. O filme é bem acabado tecnicamente. Melhor até que o primeiro. Há sacadas muito boas como a cena em que um bandido fala "ser ou não ser" com um crânio humano na mão enquanto arranca-lhe os dentes para impedir a identificação. A alusão a Shakespeare é clara, ainda que Shakespeare nunca tenha escrito cena semelhante. Hamlet não porta um crânio a pronunciar a famosa frase.

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