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segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Responsabilidade é de Ouro

Participei neste último final de semana da festa de Bodas de Ouro de um casal querido. Trata-se de um importante momento de reflexão sobre a família e seu papel nos dias de hoje.
Costumo, às vezes, comparar a família com a democracia: é o pior sistema, com exceção de todos os demais. Tido como epicentro das neuroses, a família já passou por maus momentos na segunda metade do século passado. Houve quem decretasse seu fim. No final do século, a família passou por um processo de reinvenção, quando foram admitidas formalmente novas figuras familiares. A Constituição de 1988 reconheceu isso. Recentemente, nessa linha, o STF reconheceu também a relação homoafetiva como familiar. 
Família diz respeito diretamente a responsabilidade. Ser "família" é, em última análise, ser responsável pela constituição e manutenção do ninho. Ninho que será mais ou menos acolhedor para todos dependendo da maior ou menor capacidade e força dos envolvidos. Trata-se de sonhar e suportar angústias. Sonhar com um futuro bom e educar filhos que um dia serão adultos e terão filhos, repetindo o ciclo.
No contexto atual da pós-modernidade, onde o relativismo moral impera, a família como instituição se vê confrontada com uma série de desafios. Ao jovem, incentivado a não deixar de "aproveitar a vida" no seu limite máximo, não é fácil aceitar às "limitações" de um casamento e da vida familiar. Não há livros ou filmes que funcionem nesse caso. Somente sólidos exemplos de dedicação e despreendimento são verdadeiramente eficazes. Exemplo como aquele que tive em casa e como o do casal querido que testemunhei no último final de semana.  

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Morte de Osama Bin Laden

Osama Bin Laden
A morte de Osama Bin Laden é puramente simbólica. Mas do simbólico vivemos. É interessante perceber a reação dos americanos, de alegria e euforia. No cinema americano a vingança é temática constante. O imaginário coletivo fixa na cultura do cowboy americano a ideia de vingança em identificação com a ideia de justiça.
Os ataques de 11/09 representam um trauma para uma nação e, de quebra, para o próprio ocidente. Em situações como essa, a morte daquele indicado como principal algoz cai bem. No entanto, simplesmente comemorar o fato é uma reação simplificadora e incabível em um caso complexo como esse. A tal organização Al Qaeda poderia até ter o Bin Laden como uma espécie de líder, mas sua atuação não dependia dele. O terrorismo da organização opera por células independentes.
Não é difícil perceber que Bin Laden, um ex-colaborador da CIA, diga-se, foi eleito pelos EUA para ser a cara do inimigo. Sem um rosto contra o qual guerrar, a guerra fica mais difícil, fato que deriva do reconhecimento que uma guerra ocorre sempre também no plano simbólico.
Penso que a notícia da morte de Osama Bin Laden não pede propriamente euforia, mas cautela. Considerando as características da organização supostamente liderada por ele, é bastante plausível que a situação possa recrudescer, com novos ataques contra alvos ocidentais.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Publique-se a lenda

John Wayne e James Stuart: quando a verdade é revelada.
O filme "O Homem que Matou o Facínora" (The Man Who Shot Liberty Valance), de John Ford, lançado em 1962, mais do que um ótimo western, é uma belíssima alegoria sobre a história dos EUA. Já escrevi sobre esse filme neste espaço e, revendo-o, volto a escrever. Caro leitor, caso não tenha assistido ao filme, não prossiga a leitura, pois eu conto o final. Caso queira assistir, é fácil de achar por aí. As Lojas Americanas, por exemplo, estão vendendo edição especial, com direito a uma simpática foto do John Wayne, por R$19,90. Uma pechincha para uma obra que vale a pena ter em casa. Mas vamos ao filme.
O grande John Wayne é o cowboy Tom Doniphon. James Stuart é o advogado e, depois, político, Ransom Stoddard. Ambos disputam o amor da garçonete Hallie (Vera Miles). Advogado recém formado, legalista e sonhador, Stoddard é o forasteiro numa típica cidade sem lei do oeste. Doniphon, por sua vez, é o típico cowboy justiceiro para quem a única lei que vale é a lei do mais forte.
A trama se desenvolve em torno das ameças de um bandido, o tal facínora do título, Liberty Valance (Lee Marvin). Ele encarna tudo que há de ruim numa terra sem lei: violência, arbítrio, desrespeito à propriedade, à dignidade e à liberdade, inclusive a liberdade de imprensa.
Por trás da narrativa aparentemente simples (um triângulo amoroso e a disputa do bem contra o mal), existe uma magnífica alegoria sobre a formação histórica dos EUA e a unificação política do país a partir da integração do oeste à união original. Doniphon representa o passado dos pioneiros rudes e sofridos, para quem, na ausência da lei (do estado), só resta recorrer à violência e às armas para defender seus valores. Já Stoddard representa uma nova era, de legalidade em prol da integração nacional, onde as armas seriam substituídas (nunca totalmente, como se verá) pela lei e pelos livros. A relação entre os dois protagonistas é conflituosa, mas não de oposição já que esta se dá, de fato, em relação ao bandido, o qual vive, além de tudo, à serviço do primitivismo político.
Com efeito, não é difícil perceber que a mocinha Hallie encarna a República, cujo destino, não fosse pela chegada do advogado Stoddard, seria casar com o rude cowboy Doniphon e permanecer na barbárie e na ignorância. Para a desgraça do cowboy, ela cede aos encantos de Stoddard, o qual se dispõe, inclusive, a lhe ensinar a ler e a escrever. Doniphon se desespera, ateia fogo em sua própria casa, mas no fundo reconhece que os temos estão mudando. Resignado, apoia o advogado  na eleição para deputado e lutar pelo reconhecimento da região como um novo estado da União.
O duelo final com o bandido embute uma surpresa, com uma reviravolta genial. Quem teria matado o facínora? Quem seria o responsável pela fim da barbárie e ingresso daquele ponto remoto dos EUA na civilização? O advogado e o cowboy aqui agem em conjunto, dividindo esse bônus.  Stoddard leva a fama de vencedor no duelo contra o bandido, ganha a mocinha e torna-se um importante político. Mas Ford jamais esqueceria do valor dos pioneiros: quem matou o facínora foi o cowboy, com a ajuda de um negro que lhe fornece a arma. Essa verdade quanto a autoria do ato heróico é sacrificada por todos os personagens envolvidos em prol da nova era representada pelo jovem advogado e político. Confrontados com tal infidelidade aos fatos, os homens de imprensa declaram, cientes de seu papel de construção da realidade, naquela que será a frase mais famosa do filme: "quando a lenda se torna fato, publique-se a lenda". Coisa de gênio.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

O monstro e os impuros


Banda U2 homenageia, no show em SP, crianças mortas em Realengo.
Aguardei propositalmente o tempo passar e a "poeira baixar" um pouco para escrever sobre o terrível crime ocorrido recentemente numa escola do Rio de Janeiro em que um indivíduo matou doze crianças. Dada a velocidade com que se sucedem as mais terríveis notícias, pode até ser que muitos já deixaram de se preocupar com o fato, até porque é deveras angustiante mesmo lembrá-lo.
É necessário, no entanto, destacar que há crimes que nos obrigam a pensar sobre nossa sociedade. Há outros que nos obrigam a pensar sobre nossa humanidade. O crime ocorrido em Realengo se enquadra nessa segunda categoria. O primeiro impulso de muitos dos que se pronunciaram publicamente sobre o crime foi chamar o homicida de "monstro". Outros o chamaram de louco. Nada mais equivocado. Como que nos valendo de uma espécie de mecanismo de defesa da espécie, relutamos em aceitar a humanidade de terríveis figuras como essa. Michel Foucault, no livro "Os Anormais", destaca que toda época tem seus "monstros": figuras eleitas pelo imaginário a fim de, contrariamente às evidências, sustentar uma condição não humana e, assim, nos absolver a todos.   
A aceitação da humanidade de sujeitos com condutas deploráveis, ainda que nos incomode como espécie, nos aproxima de uma medida de verdade sobre nossa existência e sobre os desafios da convivência social. Rejeitado pelos iguais, supostamente vítima de bullying, palavra da moda, diga-se, o próprio assassino fez questão de se "destacar" da humanidade em sua "carta testamento" e em vídeo. Em sua mente perversa, seríamos todos, salvo ele, impuros. Os únicos merecedores de misericórdia e acolhimento seriam os "animais abandonados" com os quais o homicida acaba por se identificar, como observou a psicanalista Anna Verônica Mautner em preciso e precioso artigo publicado da Folha de S. Paulo no qual a carta é analisada. 
Dito isso, é certo que o homicida e a sociedade, ao se excluirem mutuamente da condição humana (monstro X impuros), acabam sendo cúmplices em uma mentira conveniente para ambos. Mas a pior desonestidade é a desonestidade consigo mesmo, o que nos obriga a reconhecer que o mal existe, habita dentro de nós e nos obriga a um combate perpétuo, uma luta interna constante. O assassino foi abandonado pela mãe, mas foi acolhido por outra mulher que dele se fez mãe. Fraco e covarde, abdicou do bom combate, se abraçou na confortável tábua de salvação da autocomiseração e se fez algoz do mundo e de si. Não encontrará a glória, claro. O inferno da infâmia é o que lhe resta.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um Sonho para a Cidade

Jaime Lerner em seu escritório.
“A cidade tem que ter um sonho”. Assim, de forma simples e objetiva, o arquiteto, urbanista, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná Jaime Lerner definiu o desafio que todas as cidades apresentam a seus habitantes.
Lerner abandonou a política há oito anos e hoje se dedica a sua empresa de consultoria na área de urbanismo. Viaja o mundo, segundo ele disse em entrevista recente ao programa Roda Viva da TV Cultura, “dando dois ou três palpites por cidade”. “Eu passo alguns dias [na cidade] com a equipe, ouço os moradores, sinto sua vocação, seus sonhos e pontuo algumas coisas simples”.
Acompanhei como cidadão o governo de Lerner, tanto na prefeitura de Curitiba como no estado do Paraná. Como prefeito, Lerner soube captar os sonhos de seus concidadãos e revolucionou Curitiba, preparando-a para o futuro e tornando-a cidade modelo. No governo do estado não foi tão bem. Sua vocação era mesmo a cidade.
Ao contrário de Lerner, os políticos costumam fugir do enfrentamento dos problemas urbanos. Assumem prefeituras pensando em vôos mais altos. Analisando a questão, não há como não lembrar de nossa “pobre rica” Manaus.
A partir da lição de Lerner, penso que no passado talvez tenha havido um sonho para Manaus, ainda que talvez um pouco megalomaníaco, pois associados à idéia de um “Eldorado”. Hoje, o que subsiste não passa de uma farsa: o “Eldorado” é o véu a encobrir toda sorte de oportunismo e rapinagem, capitaneados por aventureiros de toda a sorte, sem diferença de origem ou classe social. Sim, àquele comunistóide que se sinta tentado a botar a culpa nas elites: em Manaus o oportunismo e a gatunagem estão democraticamente distribuídos em todos os estratos sociais.
Para que a cidade venha a ser minimamente habitável, com alguma qualidade de vida, na lição de Lerner, urge que se busque para ela um sonho que congregue todos os habitantes e que tal exista para além dos muros de um condomínio fechado. Sem isso, continuaremos a nos tolerar neste caos infernal de uma urbes em que, parafraseando Caetano, tudo é construção e já é em ruína.

domingo, 20 de março de 2011

O Fim do Mundo


Enchentes, terremotos, guerras. O ano começou agitado, para dizer o mínimo. E já há quem diga que são prenúncios do fim do mundo. Há que se lhes reconhecer uma certa razão: desde que o mundo existe, prenuncia-se o seu final. Como tudo na vida, é questão de tempo.

Passando os olhos pela história do mundo, o que venho fazendo com a leitura de "Uma Breve História do Mundo", H. G. Wells, vê-se que a coisa há muito é mais ou menos assim. Um evento natural de catastróficas proporções acabou com os dinossauros e teria acabado conosco também se porventura existíssemos à época. Guerras, por sua vez, abundam: a história da humanidade se constrói a partir da dinâmica mistura de povos decorrente de conquistas e invasões, tudo isso tido como muito natural por milênios, até a "adolescência" da humanidade: o século VI a. C., quando, segundo Wells, inicia-se o pensamento crítico (não mágico).

Consta que Obama teria ordenado o ataque a Líbia em solo brasileiro, o que não deixa de ter uma certa ironia considerando a abstenção do Brasil em votação na ONU que decidiu pela intervenção e o auto-proclamando pacifismo brasileiro. Mas não é bem assim.

Não custa lembrar, acerca do assunto, que o exército brasileiro já massacrou seu próprio povo. Sim, isso mesmo, no cerco a Canudos, no final do século XIX, quatro expedições militares foram enviadas para o sertão da Bahia para combater um arraial sebastianista formado por um povo marginalizado numa república que nascia fruto de um acordo de elites. Não por acaso, a obra que melhor trata da questão depois do clássico "Os Sertões", de Euclides da Cunha, é chamada de "A Guerra do Fim do Mundo", da pena do recém laureado Mário Vargas Llosa. Vê-se, pois, que não há tantas novidades assim no front.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Direita e Esquerda

O que é ser de "direita" ou de "esquerda" hoje em dia? Ainda é válida essa diferenciação? Para começo de conversa é difícil, quase impossível, encontrar alguém que se defina de "direita". De "esquerda" há muitos e o resto é de "centro", talvez o pior.
O mundo na era Obama está ideologicamente "cor-de-rosa" e na China comunista estão os maiores capitalistas da atualidade. No Brasil, devido ao nosso histórico deficit democrático, a questão é ainda mais nebulosa. O PT pós-mensalão não sustenta mais seu discurso de origem. O que até é bom, dado que hipocrisia tem limites (ou não). Por outro lado, não viceja nenhum discurso de afronta à histórica hipocrisia da esquerdona rançosa. Quem ousa se manifestar publicamente em prol de pilares do liberalismo, como a defesa do indivíduo contra o estado, é taxado de direitista, recua ligeiro ou disfarça como faz a "classe média" ao comprar mortadela.
O que é particularmente intrigante é que o politicamente correto, a defesa das chamadas "minorias", bandeiras históricas da "esquerda", deixou de ser transgressivo (o que é bom) e virou norma (o que é ruim). Vide, por exemplo, a questão da liberdade e opção sexual. Primeiro: não existe opção sexual, mas isso é outra discussão. O que vejo é que ao se "normalizar" (tornar norma) o comportamento homossexual chega-se ao absurdo de um patrulhamento contra quem discorda ou não aprova (o que é um direito). Convém lembrar que, na lição do velho Freud, quem regulamenta o sexo é perverso... Outro exemplo do que poderíamos chamar de "normalização" equivocada de antigas bandeiras da "esquerda": a questão das cotas raciais que introduziu no Brasil uma até agora estranha judicialização da cor da pele (coisa de norte-americano, não nossa).
Dito isso, fica no ar a dúvida de como irão se posicionar politicamente as novas gerações. Ao ouvirmos os mais jovens, com seu comportamento obsessivamente hedonista, penso que não teremos grandes debates pela frente.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Camisinha: obrigação de gozar?

Confesso que a propaganda massiva de uso de camisinha no carnaval me incomoda. Fora de discussão que o combate à AIDS e outras DST's é fundamental, mas a impressão que dá é a de um imperativo de gozo, uma regra, mais do que de tolerância, de obrigação, a autorizar um comportamento sexual irresponsável e até arriscado.
A relação sexual sem o uso do preservativo é um erro indiscutível. Contudo, vejo que ninguém questiona a bizarra situação de tolerância quanto ao comportamento sexual promíscuo e perigoso: a roleta russa que é fazer sexo com um(a) estranho(a) embrigado(a) por exemplo. Se a camisinha pode proteger contra DST's, o mesmo não se pode dizer de outras decorrências do comportamento sexual promíscuo, ainda mais considerando que menores se comportam como adultos na folia.
Um dos problemas, talvez, seja que hoje em dia soa como um sacrilégio se questionar o gozo. Se no passado havia repressão e hipocrisia, hoje a permissividade e o relativismo impõe aos conscienciosos uma certa timidez, ou vergonha mesmo, de se manifestar publicamente contra esse ou aquele comportamento. Teme-se o rótulo de quadrado (aquele que não desce redondo), reacionário, atrasado, burro.
Trata-se de uma contingência de nossa época. Mas não custa lembrar que liberdade é também liberdade para ser seletivo quanto a escolha do gozo, seu objeto, duração e circunstância. Isso vale para qualquer escolha, aliás.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2


José Padilha trabalha com o objetivo de fazer uma arte politicamente influente. Seu tema é a sociedade brasileira. Usa o Rio como cenário e o faz bem desde Ônibus 174, o excelente documentário sobre o sequestro do ônibus e morte do sequestrador (este um outrora sobrevivente da chacina da candelária).

No primeiro "Tropa", Padilha consegue trabalhar com vários níveis narrativos. O público que quiser divertir-se, irá. Quem quiser algo mais profundo, também tem. Quem quiser usar o filme ou citá-lo em uma tese de doutorado, também terá material. Mal comparando, Shakespeare também trabalhava assim. Suas peças eram dirigidas ao povo, mas continham uma mensagem de crítica, de moral ou até filosófica, cabendo uma reflexão sobre a existência.

Nesta continuação, "Tropa de Elite 2", Padilha, possivelmente impressionado com o sucesso "acidental" do primeiro, resolve assumir seu desejo de valer-se da arte para modificar a sociedade. Com efeito, temos um bom filme, mas com uma dose forte de panfletarismo. Se no primeiro filme cabia ao espectador pensar sobre a arte (ainda que quem quisesse apenas se divertir também teria o que quisesse), neste segundo filme o diretor entrega ao espectador a "mensagem" pronta e acabada, sem que ele precise pensar tanto, digamos. E, é claro, também há diversão.

Tropa 2 será muito menos polêmico que o primeiro, não por seu conteúdo, mas justamente por esta opção do diretor de deixar tudo muito claro, vilões e heróis mais bem definidos. O filme é bem acabado tecnicamente. Melhor até que o primeiro. Há sacadas muito boas como a cena em que um bandido fala "ser ou não ser" com um crânio humano na mão enquanto arranca-lhe os dentes para impedir a identificação. A alusão a Shakespeare é clara, ainda que Shakespeare nunca tenha escrito cena semelhante. Hamlet não porta um crânio a pronunciar a famosa frase.

domingo, 18 de abril de 2010

Vigiar e punir

Por conta dos psicopatas que aparecem aqui e ali retomei a leitura do "Vigiar e Punir", clássico do Foucault. Havia lido na época da faculdade. Está tudo lá. De certo modo, há uma timidez em nosso judiciário de fazer o serviço sujo que é punir alguém. Acho que aqui está o dilema da execução penal que é agravado pelo nosso subdesenvolvimento. Mas os psicopatas, ou perversos, são caso sério. Estão por aí em toda a sociedade. A grande maioria, fora do alcance da justiça porque não mata nem rouba. Dizem que o psicopata não é tratável, mas não é verdade. O problema é que ele não procura tratamento eis que sua personalidade se estrutura em uma razão implacável. E azar de quem cruzar o seu caminho.